Ela não queria ir embora. Não agora que havia encontrado em seus braços outros tão dispostos a acolhê-la nas noites frias. Mas não parecia certo que ali permanecesse, pois havia uma linha muito fina de intolerância pairando entre suas palavras. Havia uma tensão conhecida envolvendo os dois corpos que se apertavam um contra o outro como se não mais se importassem com a possível efemeridade daquele momento. Era talvez a última chance de sentir a vibração peculiar que sabia existir somente entre os dois. Não era amor. Nem ao menos sabe se algum dia foi. Mas também não era apenas mais uma paixão (e tinha consciência de que nunca fora apenas isso). Era o "ela e ele" que somente os dois poderiam entender, porém jamais explicar nem mesmo um ao outro. Tudo o que se podia explicar, explicava-se no momento em que um olhar descia sobre o outro e entrelaçavam-se as mãos com doçura. O momento em que eram apenas um. Mas compreendiam que, tão logo notassem, já eram dois. Cada um em suas camas. Cada um com seus amantes. Cada um a buscar um norte que, inevitavelmente, se perdia toda vez que arriscavam encontrá-lo juntos.

5 comentários:
Ela é uma bomba de planos, pensamentos, sentimentos, inspiração, medos e um desejo constante e insaciável de ser feliz. Isso se ela for quem eu acredito que seja.
Continuo gostando da foto no cantinho... ;)
Muuuito bom! Fiquei arrepiada já na segunda linha (e segui assim até o final)!
Beijos, beijos!
Ana
Pediu permissão pra falar de mim?!
oO
genial
Por que eu pediria permissão para um "anônimo"? ;)
Gostei.
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